
Geralmente os manguezais são apresentados por aquilo que oferecem à sociedade, como proteção costeira, berçário da vida marinha, armazenamento de carbono, regulação climática e tantos outros serviços. Esses aspectos são importantes, mas não contam a história inteira.
Antes de serem traduzidos em números, indicadores ou recursos econômicos, os manguezais são florestas vivas, complexas e profundamente conectadas ao território. São ambientes moldados pelas marés, pelos rios, pelos sedimentos, pelo clima, pela fauna e também pelas formas como a sociedade ocupa e transforma a zona costeira.
Foi a partir dessa complexidade que se construiu a trajetória do Núcleo de Estudos em Manguezais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o NEMA/UERJ.
Vinculado à Faculdade de Oceanografia, o NEMA surgiu do interesse em compreender os manguezais para além das respostas simples. Como essas florestas se estruturam? Como mudam ao longo do tempo? Como respondem aos distúrbios, às pressões humanas e às mudanças climáticas? Que limites existem quando tentamos transformar a natureza em métricas, estoques, ativos ou soluções prontas?
Essas perguntas acompanham a história do núcleo e ajudam a orientar sua forma de fazer ciência: uma ciência construída no campo, baseada em observação, análise crítica e compromisso com a conservação dos manguezais em toda a sua complexidade.
História do NEMA
O campo como ponto de partida
A história do NEMA começa através do contato direto com os manguezais. É no campo que as perguntas ganham corpo e que muitas certezas fáceis deixam de fazer sentido.
Medir uma árvore, acompanhar a produção de serapilheira, observar a variação da salinidade, analisar o sedimento ou retornar ao mesmo local depois de meses e anos permite perceber que os manguezais não respondem de forma linear. Cada floresta expressa uma combinação própria de condições ambientais, história de ocupação, pressões locais e capacidade de reorganização.
Por isso, estudar manguezais exige tempo. Exige permanência, comparação, repetição e cuidado na interpretação dos dados. Ao longo de sua trajetória, o NEMA acompanhou áreas de manguezal em diferentes regiões, especialmente no estado do Rio de Janeiro, reunindo informações sobre estrutura florestal, dinâmica ambiental, fauna associada, serapilheira, salinidade, carbono, conservação e restauração.
Mais do que produzir dados isolados, esse acompanhamento ajuda a compreender processos. E compreender processos é fundamental para evitar interpretações superficiais sobre ambientes que são, por natureza, dinâmicos e complexos.
Ciência com olhar crítico
Nas últimas décadas, os manguezais passaram a ocupar um lugar de destaque em debates sobre mudanças climáticas, carbono azul, economia azul, restauração ecológica e soluções baseadas na natureza. Essa visibilidade é importante, mas também exige atenção.
Quando os manguezais são tratados apenas como estoque de carbono, barreira natural ou ativo ambiental, parte essencial de sua complexidade pode ser perdida. Esses ambientes não são apenas prestadores de serviços. São florestas com dinâmica própria, habitadas por múltiplas formas de vida e atravessadas por relações sociais, econômicas e territoriais.
legenda da imagem
legenda da imagem


A história do NEMA se constrói também nesse esforço de olhar criticamente para os discursos sobre conservação. Não se trata de negar a importância econômica, climática ou ecológica dos manguezais, mas de evitar que eles sejam reduzidos a uma única função ou apropriados por propostas que nem sempre consideram suas realidades locais.
Esse olhar crítico orienta a produção científica do núcleo. Investigar, medir e modelar são etapas importantes, mas sempre acompanhadas de perguntas sobre o que os dados mostram, o que deixam de mostrar e quais interesses podem estar envolvidos na forma como certos conceitos são utilizados.
Formação e responsabilidade pública
O NEMA também é uma história de formação. Ao longo dos anos, estudantes de graduação, pós-graduação, pesquisadores e colaboradores encontraram no núcleo um espaço para aprender sobre os manguezais a partir da experiência direta com o campo, com os dados e com a reflexão científica.
Essa formação não envolve apenas o domínio de métodos. Envolve também aprender a desconfiar de respostas rápidas, reconhecer limites de interpretação e compreender que a ciência ambiental precisa lidar com incertezas, conflitos e diferentes formas de relação com o território.
Monografias, dissertações, teses, artigos científicos, relatórios técnicos e materiais de divulgação fazem parte dessa trajetória. Mas, para além dos produtos acadêmicos, o que se constrói é uma forma de olhar para os manguezais com responsabilidade, atenção e compromisso público.


A conservação dos manguezais não depende apenas de conhecimento técnico. Depende também de diálogo, escuta e circulação pública da ciência.
Por isso, a extensão universitária ocupa um papel importante na trajetória do NEMA. Ações educativas, exposições, jogos, oficinas, rodas de conversa, materiais de divulgação e atividades em eventos aproximam diferentes públicos dos manguezais e das questões que envolvem sua conservação.
Nessas ações, o objetivo não é apenas dizer que os manguezais são importantes. É criar espaço para que as pessoas compreendam por que eles importam, como funcionam, quais ameaças enfrentam e por que sua conservação não pode ser pensada de forma separada das pessoas, dos territórios e das escolhas políticas e econômicas que moldam a zona costeira.
A extensão, nesse sentido, não é uma etapa final da ciência. É parte do próprio processo de construção de conhecimento.
Da universidade para a sociedade


Uma história ainda em construção
Novas perguntas para novos tempos
As transformações ambientais em curso colocam novos desafios para o estudo dos manguezais. Mudanças climáticas, aumento do nível do mar, eventos extremos, urbanização costeira, perda de habitats, restauração ecológica e expansão de mercados ambientais tornam as perguntas cada vez mais complexas.
Diante desse cenário, o NEMA combina a experiência acumulada no campo com novas ferramentas de análise, como geoprocessamento, imagens aéreas, drones, sensores remotos, séries temporais, modelagens espaciais e tecnologias de monitoramento ambiental.
Essas ferramentas ampliam a capacidade de observar os manguezais em diferentes escalas. Mas, para o NEMA, tecnologia não substitui interpretação ecológica, nem transforma a natureza em resposta automática. Os dados precisam ser lidos à luz da história de cada área, das condições ambientais, das pressões locais e das relações sociais envolvidas.


Contar a história do NEMA é contar uma trajetória de aproximação com os manguezais. Uma trajetória feita de campo, pesquisa, formação, extensão e questionamento.
Mais do que apresentar respostas prontas, o núcleo busca compreender os manguezais em sua complexidade: como florestas, como territórios, como ambientes sensíveis às mudanças climáticas, como espaços de vida e como parte fundamental das zonas costeiras.
Em um tempo em que a natureza é cada vez mais convertida em métricas, ativos e promessas de solução, olhar com cuidado se torna ainda mais necessário. Os manguezais importam, sim, pelo carbono que armazenam, pela biodiversidade que abrigam, pela costa que ajudam a proteger e pelos recursos que sustentam. Mas importam também pelo que não cabe facilmente em uma conta.
É nesse espaço — entre a medição e a crítica, entre o campo e a sociedade, entre a ciência e a conservação — que o NEMA segue construindo sua história.
Our people are what make us unique. Rather than outsourcing our construction engineers from questionable outsourcing establishments, we provide them with an environment that supports professional growth.
We are strong believers in giving our employees a voice. Our teams are put together with the help of our resident psychologist to ensure maximum productivity and engagement.




